quarta-feira, 9 de junho de 2010

Texto do aluno Leonardo Pinheiro (Cristóvão de Mendoza)

O menino e a cadeira

Mal o pai colocou o papel na máquina, o menino começou a empurrar uma cadeira pela sala, fazendo um barulho infernal.

Para com esse barulho, meu filho – falou, sem se voltar.

Com três anos já sabia como reagir como homem ao impacto das grandes injustiças paternas: não estava fazendo barulho, estava só empurrando uma cadeira.

Pois então para de empurrar a cadeira.

Eu vou embora – foi a resposta.

Distraído o pai não reparou que ele juntava ação as palavras no ato de juntar do chão suas coisinhas, enrolado-as num pedaço de pano. Era sua bagagem: um caminhão de plástico com apenas Três rodinhas restos de biscoitos, uma chave (onde meteram à chave a dispensa? – a mãe mais tarde ira dizer) metade de uma tesourinha enferrujada, sua única arma para a grande aventura, um botão amarado num barbante.

A coluna que baixou então na sala era vagamente inquietante. De repente, o pai olhou a redor e não viu o menino. Deu com a porta da rua aberta, correu até o portão:

- viu um menino saindo desta casa? – gritou para o operário que descansava durante de uma obra do outro lado da rua, sentando num velho banco.

- saiu agora mesmo com uma tesourinha – informou ele

Correu até a esquina e teve tempo de vê-lo longe caminhando cabisbaixo ao longo do muro. A trouxe arrastada no chão, ia deixando pelo caminho alguns de seus pertences o botão, o pedaço de biscoito e – saíra de casa prevenindo

- uma moeda de 1 cruzeiro. Chamou-o mais ele apertou o passinho, abriu a correr à Avenida como disposto a atirar-se diante do ônibus que surgia a distancia.

Meu filho cuidado! O ônibus deu uma freada brusca, uma guinada para a esquerda, os pneus cantaram no asfalto. O menino, assustado com o braço como um animalzinho:

- Que susto você me passou meu filho – e apertou-o contra o peito, comovido.

- deixa eu descer papai. Você esta me machucando.

Irresoluto, o papai pensava agora se não seria o vaso de lhe dar umas palmadas.

Trouxe para a casa e largou novamente na sala – tendo antes o cuidado de fechar a porta da rua e retirar a chave, como ele fizera com a da dispensa.

- fiquei ai quietinho, esta ouvindo? Papai esta trabalhando – ficou, mas vou empurrar esta cadeira e o barulho recomeçou.

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